"... porque alguns homens são interessantes demais para morrer".
E, em se tratando de um homem como Abrahan Lincoln, nem precisa de um acréscimo de ficção pra tornar sua biografia interessante. Mas... porque não?
O autor fanfarrão Seth Grahame-Smith, que está se especializando em fazer 'remakes' trash/gore de clássicos da literatura mundial (cujo primeiro foi Orgulhe e Preconceito e Zumbis), desta vez, nos presenteia com o 'lado B' da biografia do décimo sexto presidente dos EUA, contando a 'verdadeira' história por trás da abolição da escravatura na América.
Apoiado no mito de que o ex-presidente foi um exímio caçador de vampiros, e tomando por base um diário secreto escrito pelo próprio sobre suas aventuras com os chupadores de sangue, Seth refaz a biografia de Lincoln, mostrando a real motivação de seus atos, desde sua infância até seus últimos dias de vida.
Estranhamente bem pesquisado, e com uma riqueza de detalhes que assusta, o autor convence através de trechos do diário secreto de Lincoln (incrivelmente, ou não, há estudiosos que defendem a existência desse diário) e de um acervo de fotos e imagens escolhidas a dedo (e melhoradas com o photoshop) de que seres das trevas quase foram responsáveis pela derrubada da nação americana.
Leitura fácil e rápida, até mesmo por não ter destacado demais a vida política de Lincoln (apenas na parte final do livro); o que poderia ter prejudicado bastante o resultado final de uma obra sobre um homem que é tido como um dos maiors presidentes que os EUA já tiveram.
Lançado pela editora Intrínseca em 2010, o livro já teve seus direitos vendidos para o cinema, e já correm boatos de que o esquisitão Burton é que vai dirigir a versão para as telonas. Será que vamos ter Helena Bohan Carter atacando de vampira made sec. XIX??? =DD
Uma das coisas mais interessantes do rock 60's é que, mesmo com todo o mar de novas sonoridades e o arroubo criativo em que viviam todos os jovens artistas da época, é que em nenhum momento eles deixaram sua cultura tradicional de lado. É certo que, nos EUA, entre 64 e 66 o rock beat dominou, e a tradicional música folk surgia timidamente como alternativa para os jovens que não fazia a cabeça com guitarras elétricas... até o Dylan passou a tocar com banda nesse período (e que banda, diga-se de passagem)! Da explosão psicodélica em 67, ao retorno às raízes da música popula americana, em 69/70, as 'acid kids' sempre reservaram alguns minutos de suas festas pra homenagear o cancioneiro popular, in your own special way.
Muitas canções foram revividas por astros da época: Crossroads, Kansas City, Didn't They Crucified My Lord, Pride of Man, Cocaine, Lovesick Blues, San Francisco Bay Blues, e muitas outras receberam diversas releituras dos mais variados artistas.
Uma das que mais foram lembradas, por acaso, uma de minhas favoritas, foi a ótima I Know You Rider, que teve sua versão mais conhecida na época tocada incessantemente pelo Grateful Dead, em seus lendários concertos.
A canção, um 'traditional', de origem desconhecida, começou a ser tocada em meados dos anos 50, pelo músico Bob Coltman, sendo gravada pela primeira vez por Tossi Aaron, em 1960. A canção foi 'encontrada' por Coltman no livro American Ballads and Folk Songs, de John & Alan Lomax. No livro, os autores contam que a primeira estrofe da canção foi cantada criada e cantada pela primeira vez por uma presidiária negra, de 18 anos de idade. Os outros versos foram adicionados pele grupo the Lomaxes em seguida, assim como foram mudados com o decorrer dos anos, por outros artistas.
Em 1960, a música já havia ganho certa popularidade: Joan Baez vinha tocando-a em suas apresentações, e o Kingston trio gravou-a com o título 'Rider' em seu álbum Sunny Side. A música passou a fazer parte do set list de várias bandas da era psicodélica: Janis Joplin e seus Big Brothers tocavam-na em shows nos idos de 66; os Byrds tocaram-na no Monterey Pop Festival de 1967, sob o nome de I Know My Rider; o Hot Tuna a tinha no repertório de seus primeiros shows; e James Taylor incluiu-a em seu debur com o título "Circles Around The Sun".
Na era do ácido, a música se popularizou mesmo nos shows do Grateful Dead, que a tocava em quase todos as apresentações. A inclusão da música no repertório da banda foi uma sugestão do baixista Phil Lesh - foi a primeira música que ele tocou nos seus primeiros ensaios com o grupo.
A música continuou sendo resgatada no decorrer dos anos, mas sem a mesma força e sem a mesma paixão desses primeiros anos.
The Greateful Dead
I Know You Rider
(Traditional)
Well I know you rider, gonna miss me when I'm gone
Well I know you rider, gonna miss me when I'm gone
You gonna miss your mama from rolling in your arms
Well I know my baby he's bound to love me some
Well I know my baby he's bound to love me some
He throws his arms around me like a circle round the sun
Well I laid down and I tried to take my rest
I laid down and I tried to take my rest
but my mind it just kept wandering like some wild geese in the west
I’m going down the road where I get better care
I’m going down the road where I get better care
I believe I’ll go babe, I just don’t feel welcome here
Just as sure as the bird fly in the sky above
Just as sure as the bird fly in the sky above
Life ain’t worth living if you ain’t with the man you love
The sun’s gonna shine in my back door some day
The sun’s gonna shine in my back door some day
The wind’s gonna rise and blow my blues away
To love you baby, it’s easy as falling off a log
To love you baby, it’s easy as falling off a log
Wanna be your baby but I sure won’t be your dog
Se você já leu mais algumas postagens sobre música desse blog, provavelmente já deve ter me visto dizer o quanto eu amo o grupo Jefferson Airplane. É minha banda favorita, EVER! Obviamente, existem outras que eu adoro. Por algumas, cheguei até a por de lado o Jefferson Airplane durante um tempo. Foi o que aconteceu quando descobri o som dos Beau Brummels.
Os Brummels, pra quem não sabe, foi um dos primeiros grupos californianos a ascender na música pop na década de 60, seguindo o embalo da beatlemania. Assim como o quarteto de Liverpool, eles usavam terno, gravada, cabelos grandes (pros padrões da época), e faziam uma linha pop irrepreensível e irretocável, porém, mais voltada para o bubblegum que para o rock n' roll dos beats.
A BANDA
Os Beau Brummels se formaram em San Francisco, antes da cidade se tornar a Jerusalem dos hippies, ainda no comecinho da década de 60. Tudo começou mesmo quando o cantor Sal Valentino, juntamente com o guitarrista, compositor e arranjador Ron Elliot, decidiram fundar um grupo que pudesse tocar suas músicas.
Com a formação completa, com mais dois guitarristas e um baterista, o grupo se tornou figurinha fácil no circuito de bares locais, o que lhes angariou um contrato com a Autumn Records, que tinha surgido a pouco tempo. Logo, o grupo já tinha um par de músicas sensacionais (Laugh, Laugh e Just a Little) nas paradas, o que lhes rendeu o disco de estreia.
Introducing The Beau Brummels, lançado em 1965, traz o melhor do rock bubblegun da época, também fortemente influenciado pelo rock beat inglês. Com canções ótimas e imagens de bons moços, o disco fez um grande sucesso naquele ano, se considerarmos que a invasão britânica ainda estava a todo vapor, paralelamente. Um dos destaques do disco era, certamente, o vocalista Sal Valentino; de longe, uma das vozes mais 'cool' do rock! Sem perder o embalo, o grupo lançou no mesmo ano o Beau Brummels Volume 2, um dos melhores de sua discografia.
Mesmo sem repetir o sucesso da estreia, o disco marca por mostrar o grupo mais maduro, com composições mais bem arranjadas, e uma nítida influência folk entrando de mansinho em sua música, que os fez soar como a estreia dos Byrds, que foi lançada também naquele ano e já era um sucesso. Desse disco, foi extraído o single Don't Talk to Strangers, um dos maiores sucessos do grupo.
Após esse segundo o disco, o grupo trocou a Warner Records, porém essa nova parceria não começou da melhor maneira. Além dos problemas enfrentados por Elliot, que contraiu uma diabetes nessa época, e que vinha sendo agravada com o corre-corre das turnês, a WR queria que o grupo produzisse um novo sucesso na casa. Portanto, obrigou contratualmente os rapazes a gravarem um disco de covers, o que os músicos fizeram a contragosto. Estavam em 1966, e como a maioria dos grupos pop da época vinham fazendo, queriam experimentar e apostar mais na sua arte.
Beau Brummels '66, o disco de covers dos caras, foi lançado naquele ano e foi um fracasso de vendas. Em disco, ouvimos um grupo perdido, repetindo, sem nenhum ânimo, clássicos da época, de nomes como Beatles, Byrds, Mamas & Papas, Nancy Sinatra, Sony & Cher e outros.
Depois desse fiasco, os Brummels gravariam aqueles que seriam os melhores discos de sua carreira. Influenciados pela paisagem psicodélica que se tornou a California em 1967, o grupo, agora reduzido a um trio (Ron, Sal e Ron Meagher), gravou o Triangle, um dos melhores e mais injustiçados lançamentos da época.
Sal Valentino
Deixando o pop chiclete de lado, o grupo investiu pesado nas suas influências folk, mesclando-as à música psicodélica, com pitadas mínimas de música country, tudo com muita maestria. Valentino teve a chance de mostrar o quão versátil sua voz pode ser, espalhando seus vocais nasalados, ora agudos, ora bem graves, e que fazem algumas garotas suspirarem até hoje. Triangle recebeu as melhores críticas, porém, a jogada da WR de vender o disco como 'Sgt. Peppers dos Brummels' foi prejudicial para a banda, resultando num retorno negativo por parte do público. Mais um fracasso pros Brummels.
Assim como os Beatles, o grupo já não excursionava mais, afim de se dedicar exclusivamente a sua música (entendem porque tudo deles é tão perfeito?), e é nesse ínterim que lançam seu derradeiro disco. Bradley's Barn foi lançado em 1968 e é de longe meu disco favorito dos caras. Aqui, a música folk e o country predominam, com o toque essencial de lisergia que a época pedia. As canções, belíssimas, só mostram o quão Elliot tinha crescido como compositor, enquanto a voz de Sal se mostra mais sexy do que nunca. O disco foi lançado no embalo do Sweetheart of The Rodeo, dos Byrds, sendo também precursor no gênero country-rock.
Após esse lançamento, que também foi um fracasso, ficou claro que os Brummels não retomariam o sucesso de outrora. O grupo se desfez, com Elliot partindo para tocar com os Everly Brothers, e Valentino partindo numa inconsistente carreira solo. Juntaram-se novamente para um novo disco, The Beau Brummels, em 1975, que seguiu a linha de seus dois últimos álbuns, mas que não causou nenhum impacto.
Discos
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Foi com certo temor que cheguei ao cinema numa quarta-feira promocional pra ver mais um episódio daquela que um dia já foi minha série de terror/suspense favorita. Antes como uma trilogia, minha atenção pela série foi caindo com o passar dos filmes (e o cair da qualidade dos mesmos), e agora que saiu uma quarta sequencia, a primeira coisa que pensei foi: merda à vista. E minha expectativa foi reforçada assim que recebi meu ingresso na bilheteria, que, por conta de um erro de digitação, veio escrito PNICO. #fail
Isso mesmo! Falo aqui do quarto episódio da série Pânico, brilhantemente criada, escrita e dirigida pelo diretor Wes Craven em meados dos anos 90, e que chega agora à sua quarta parte, dez anos após o lançamento do forçado Pânico 3.
Amo o filme Pânico. O original, de 1996. O filme sofre muitos preconceitos até hoje por inúmeros motivos; seja por ser um filme engraçadinho voltado para adolescentes (o que é verdade, de um jeito ou de outro), seja apenas por ser um filme de terror, com muito sangue e morte, que fazem os bestas que acham “a realidade mais aterrorizante” torcerem o nariz. Mas, poupemo-nos dessa besteira politicamente correta e pseudo-pacisfista.
Com preconceitos ou não, Pânico consegue, usando justamente o excessso de clichês que o condena, ser um dos filmes mais bem sacados e, por que não, inteligentes do gênero. Hoje, mesmo com duas sequências bem abaixo de seu nível e influenciando ZI-LHARES de outros filmes idênticos, acarretando consequentemente o desgaste do estilo, Pânico já tem status de cult, sendo adorado por um seleto grupo de fãs, que dentre sua maioria, encontram-se os verdadeiros fãs do cinema de horror.
Apesar de Pânico ser infinitamente superior às suas sequências, é nelas que se desenvolve o diferencial da série: a metalinguagem. Com a série de filmes Stab, baseadas nos acontecimentos de Pânico, Pânico 2 e 3, usando a ótima desculpa do filme dentro do filme, repetem com mais vigor e propriedade as brincadeiras com os clichês do terror, que somados a um caldeirão de referências e diálogos rápidos repletos de humor negro, tornam-se um prato cheio para os amantes do estilo. E é aqui que está o problema (e o grande trunfo) da série Pânico: é um filme de terror, feito POR um fã de filmes de terror (e um dos mestres nessa arte, diga-se de passagem), PARA fãs de filmes de terror. Uma celebração ao estilo! Você precisa ter um certo conhecimento da área, um catálogo de referências para poder acompanhar o ritmo dos filmes. Por isso muitos ainda não conseguem 'entender' Pânico.
Mas vamos ao quarto filme!
Dez anos depois da suposta última parte da trilogia, Sidney Prescott (Neve Campbell), nossa heroína, volta a Woodsboro para o lançamento de seu livro 'Out of Darkness' e uma tarde de autógrafos. Isso mesmo. Sidney virou escritora de livros de auto-ajuda e é uma mini-celebridade, mas mais em razão da série de filmes de terror Stab, baseados na sua vida, e que já conta com seis sequências pra lá de bizarras!!!
Como é de se esperar, tão logo se dá sua chegada à cidade, uma série de mortes começa a acontecer envolvendo o ídolo local, que por incrível que pareça, não é Sidney, e sim o seu algoz, Ghostface. O diferencial é que dessa vez, as mortes não giram diretamente em torno de Sidney, e sim de sua sobrinha, Jill (Emma Roberts). Percebemos então com um pouco de tristeza, que nossos três queridos protagonistas - Sid, Dewey (David Arquette) e Gale (Courtney Cox) – não estão exatamente no centro da ação dessa vez, ficando geralmente em segundo plano. Sidney ainda sim, por ser tia de Jill, mas Gale e Dewey mal aparecem em cena, se comparado às continuações anteriores, se destacando mesmo apenas no clímax do filme. A sorte é que, como sempre, quando o casal entra em cena, bota pra quebrar!!
E a grande sacada da vez é: “Novo século, novas regras”. Inspirado e visivelmente zangado com a onda de remakes que vêm sendo lançados (e que são copiosamente citados, um a um, em uma cena de Pânico 4), Wes Gênio Craven trabalha o 'como se fazer um reboot de qualidade', a partir do padrão conferido nos filmes de terror oitentista que receberam refilmagens (aliás, dois deles de obras suas: o clássico A Hora do Pesadelo, e o violento Aniversário Macabro).
Juntos mais uma vez, Wes Craven e Kevin Williamson (roteiro) se auto-sacaneam durante todo o filme, tecendo críticas à violência pornô de filmes como Jogos Mortais, às refilmagens, e à eles mesmos, como não poderia deixar de vez; e ao mesmo tempo que re-abusam dos clichês, eles os destroem, tornando cada sequência do filme algo imprevisível. Sim, espere pela mocinha correndo escada acima invés de fugir pela porta da frente; mas não, ela não está fugindo do assassino, e sim, partindo pra cima dele!
Nova geração
Mais moderno e violento, o filme traz diversas críticas não só ao cinema de horror atual, mas a sociedade que o consome. Uma juvetude sedenta por comunicação e viciada em redes sociais, e nisso tudo vemos mais um ponto alto no filme. A série se modernizou, e as regras se modernizaram, acompanhando os tempos. O assassino não se limita a usar o 'telefone móvel' pra falar com suas vítimas. Facebook, twitter, vlog... tá valendo tudo! Em determinado momento, uma personagem fala: “Quem precisa de amigos?? Eu preciso de fãs"!! Na nova década, as virgenzinhas podem morrer, e a loira não é mais a burra vagaba da história. A imprevisibilidade É o novo clichê.
E o novo Ghostface também acompanhou essa mudança. Não usa mais o aparelho de mudar a voz, e sim sua voz natural, sendo também, de longe, o assassino mais inteligente e violento da série. Sim, violento! Pânico 4 nos mostra algumas das mortes mais memoráveis da saga, que receberam um plus além das típicas punhaladas. A cena em que a assessora da Sid é jogada do prédio (não é spoiler, é óbvio que ela morre, rs), é LINDA, e causa impacto. E a primeira das amigas de Jill a morrer... putz!! Digna da morte de Casey Becker (Drew Barrymore/Pânico)!! Gore total!!!
Outro ponto positivo é a evolução da personagem de Sidney. Como ela ressalta no livo dela, a personagem 'saiu da escuridão'. Hoje, a mocinha beira os 40 anos. Está adulta, focada, e deixou o ar de vítima eterna de lado. Guerreira como nunca, ela luta até o fim, e seu desfecho surpreende.
Bom, para os fãs da série e do estilo, Pânico 4 é uma grata surpresa, e uma lição de como se fazer uma sequência ou reboot (sim, o filme pode ser visto dessas duas formas) de qualidade. A todo momento, a dupla Craven e Williamson lembra, e pisa em ovos na tentativa de não quebrar a principal regra na hora de fazer um reboot; regra gritada pelos dois na sequencia final da película, através de um dos protagonistas do clássico de 1996: “DON'T FUCK WITH THE ORIGINALS!”
T R A I LE R
Pânico 4
Scream 4- EUA, 2011
Direção:
Wes Craven
Elenco:
Neve Campbell, Courtney Cox, David Arquette e Emma Roberts
Uma das primeiras obras da ainda desconhecida 'beat generation', e certamente sua publicação mais obscura, o livro E os Hipopótamos Foram Cozidos em seus Tanques só agora vê a luz do dia. A obra, que adquirira status de lenda ainda à época em que foi redigida, foi trabalhada a quatro mãos, pelos pilares do estilo, Jack Kerouac e William Burroughs, cerca de dez anos antes de suas obras-primas, On The Road e Naked Lunch, respectivamente, serem publicadas.
O livro, um dos mais diferentes da beat por se tratar de um romance convencional, narra um dos primeiros episódios das aventuras dos nossos herois vagabundos pela America, e também um dos mais trágicos. Aqui, temos a versão romanceada dos autores, que foram também testemunhas do caso, para o assassinato de David Kammerer pelo ainda jovem Lucien Carr.
Kerouac & Burroughs
David Kammerer, um homossexual com seus 40 e poucos, nutria uma paixão obsessiva por Lucien, heterossexual convicto (ainda não se sabia de sua bissexualidade na época). Carr matou David com um canivete na agitada Riverside Park, em Nova York, e, segundo relatos, ambos estariam bêbados e teriam brigado antes do ocorrido.
No livro, David é retratado como um homossexual pateticamente apaixonado por Lucien, enquanto esse, no auge dos seus 17 anos e de sua beleza, é mostrado como um garoto escroto que só quer saber de tirar algum trocado dos amigos.
E os hipopótamos... é apenas inspirado nesses acontecimentos, não seguindo à risca alguns detalhes da história verdadeira. Como 90% das obras da beat, as personagens centrais tem sua identidade oculta com pseudônimos, mas quem sabe do que se trata vai conseguindo identificar direitinho cada uma delas.
Os autores contam sua versão dos acontecimentos de maneira alternada, cada um ficando responsável por um capítulo. Kerouac (Mike Ryko), mais próximo de Lucien, narra com seu tom apaixonado a insatisfação do amigo com as investidas de David, suas tentativas de fuga, e o triste desfecho do jovem. Já Burroughs (Will Deninson), conta de maneira madura (ele era o único adulto da turma) e pouco preocupada sua visão acerca dos sentimentos de Kammerer, de quem era amigo a bastante tempo, pelo ingrato Lucien.
O assassinato de Kammerer foi inspiração para muitas obras, e inclusive é lembrada no primeiro romance publicado de Kerouac, The Town and The City, mas como podemos ver, o fascínio de Jack pelo caso não parou por aí.... Porém, E os hipopótamos...., assim como muitas outras referências ao caso em biografias e romances de outros autores, por muito tempo não foram publicados a pedido de Lucien, que queria apagar de vez o episódio da memória e esconder do conhecimento público.
Tivemos que esperar todos os envolvidos estarem mortos para podermos nos deliciar com mais esse clássico...
"Você sabe o que é isso? (põe a mão dela sobre seu peito) É um coração. E está partido. Consegue sentir?"
É engraçado como um sentimento pode unir pessoas de mundos diferentes. Mesmo um sentimento como a dor. E é em torno desse tipo de vínculo que gira o filme Grandes Esperanças, filme que vi uma vez, obra de um acaso divino, em uma madrugada global, e nunca mais esqueci.
Trata-se da história de amor de dois jovens completamentes diferentes: o pobre e inocente (dãã) Finnegan Bell (Ethan Hawke) e esnobe Estella (Gwyneth Paltrow), cujas vidas foram manipuladas desde a infância pela frustração e loucura da velha Mrs. Dinsmoor (Anne Bancroft), tia de Estella, que foi abandonada no altar pelo amor de sua vida e nunca se recuperou do choque; e por um misterioso benfeitor que muda a vida de Finn para sempre.
Eu não tenho elogios suficientes para caracterizar esse filme. Um romance lindo, que não é engraçadinho, e nem um drama. É delicado e triste, mas com um final feliz.
Dirigido pelo mexicano Alfonso Cuarón (o mesmo de Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban!!!), Grandes Esperanças é mais uma adaptação livre da obra homônima de Charles Dickens, lançada em 3 volumes entre 1860 e 1861. A primeira versão cinematógrafica parece ter sido lançada em 1946.
As atuações então, são um primor: até o Hawke, que pra mim é um ator-nada, conseguiu me emocionar em determinado momento. Gwyneth Paltrow, delicada e linda de um jeito que eu nunca tinha percebido, conseguiu levar a personagem de Estella a perfeição: esnobe e fria; perdida e apaixonada, tudo ao mesmo tempo.
Já Bancroft rouba a cena.. ou melhor, todas as cenas em que aparece! Impossível não se encantar com toda a aura de loucura, mágoa e tristeza que circunda a personagem: suas roupas velhas e empoeiradas, sua maquiagem pesada e extravagante, suas atitudes excêntricas, sua amargura eterna.... nos faz perguntar como um sentimento como o amor pode nos trazer uma vida de decadência e sofrimento.
Sem dúvidas, um dos melhores filmes que já vi e revi. E vou rever mais e mais.
Reza a lenda que a história de Finn e Estella (que tem outros nomes no romance de Dickens) será recontada nos cinemas em 2012, em mais uma adaptação, feita dessa vez por mais um ex-diretor que trabalhou na série Harry Potter, Mike Newell. Vamos ver se sai e como fica... o/
TRAILER
Grandes Esperanças
Great Expectations- EUA, 1998 - 106 minutos
Direção:
Alfonso Cuáron
Elenco:
Ethan Hawke, Gwyneth Paltrow, Anne Bancroft, Robert DeNiro
*Quem tiver interesse em baixar o filme, peça por comentário ou e-mail que envio os links para torrent.
Segundo o site Wikipedia, "Coven,CoventículoouConciliábuloé o nome dado a um grupo de bruxos(as), que se unem num laço mágico, físico e emocional, sob o objetivo de louvar a Deusae o Deus, tendo em comum um juramento de fidelidade à Arte e ao grupo." E foi com esse pensamento na cabeça que, no final dos anos 60, os jovens Jinx Dawson, Oz Osbourne, Chris Neilsen e Rick Durret, uniram-se para formar uma banda de rock.
O Coven, como o grupo passou a se chamar, nasceu na cidade de Chicago e é mais uma dessas bandas ótimas, entre milhares de outras melhores que surgiram no período 67-72, de discografia curtíssima e que acabaram caindo no esquecimento com o passar dos anos.
Esquecimento que eu acho impressionante, visto que, apesar da parte musical ser bastante datada, o banda foi inovadora no que diz respeito às letras e atitude. Até aonde se sabe, a vocalista Jinx Dawson foi realmente uma estudiosa e praticante das artes ocultas, tornando essa a característica principal dos primeiros anos do Coven.
Jinx Dawson
Exatamente!! Black Sabbath o caralho! Antes da trupe do Iommi começar contar historinhas de fantasmas, Mrs. Dawson (uma loiraça gata pra cabra nenhum botar defeito!) e companhia já narravam histórias sobre sabás negros, pactos com o capiroto, magia negra, chegando ao ápice ao músicar uma Missa Negra, que pode ser conferida já no primeiro registro do grupo, Witchcraft Destroy Minds & Reaps Souls.
Lançado em 1969 pela Mercury Records, o disco foi considerado um trabalho muito underground, devido o conteúdo lírico do material. Na arte do disco, imagens infames da banda fazendo, pela primeira vez, os famosos chifrinhos, além de outras bizarrices como cruzes invertidas, pentagramas, e até uma foto de Jinx, nua, deitada, simulando parte de uma espécie de sacrifício ritual.
Na parte musical, o som da banda não poderia ser mais datado: apesar de mais soturno, esse primeiro disco traz aquela sonoridade típica da época, misturando psicodelia, blues e folk, lembrando bastante o som dos californianos do Jefferson Airplane. A voz da Jinx e seu jeito de cantar, aliás, lembram bastante a Grace Slick.
No final das contas, a banda só teve realmente um sucesso, alguns anos depois, com o hit One Tin Soldier, tema de letra totalmente pacifista, escrita para compor a trilha do obscuro filme Billy Jack, de 1971. A canção fez parte do segundo e maravilhoso (pra mim, melhor que o primeiro) disco do grupo, Coven, de 1972. Depois disso, o grupo lançaria apenas mais um péssimo álbum na década de 70, o triste Blood On The Snow, em 1974.
Hoje em dia, os poucos que se iniciaram no som do Coven, reconhecem sua contribuição no mundo do rock, e os vêem como pioneiros no que hoje é conhecido como dark rock. Uma banda que você precisa conhecer, ao menos os dois maravilhosos primeiros trabalhos.
Discos:
Clique nas capas para realizar os downloads. Em breve, os três estarão disponíveis com review aqui.